Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Documentario do Ciclovida avança

O equipe trabalhando no documentario sobre Ciclovida esta quasi pronto com a primera versão pública. Trailer aqui e mucho mais no site do documentario: http://Ciclovida.org.

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Campanha ecológica Chico Mendes

Venha também participar da Campanha Ecológica Chico Mendes

Objetivo geral: Contribuir para o despertar de consciência e senbilidade ecológicas para o combate à aceleração do aquecimento global e a destruição da camada de ozônio, no cotidiano da nossa sobrevivência.

Objetivos específicos:

1 - Resgate de valores e contribuições de Chico Mendes para a sobrevivência da biodiversidade, inclusive o ser humano;

2 - Preparar-se para o dia “D” desta campanha, na data de aniversário de 20 anos do assassinato de Chico Mendes, em 22 de dezembro de 2008.

PROGRAMAÇÃO

A partir das nove horas da manhã:
- Apresentação do forno solar, do tijolo ecológico de adobe, da cercontudo (cerca ecológica);
- Feira de usados o dia todo;

A noite:
- Teatro, poesias e músicas.

Local: grupo escolar do Salgado (Assentamento Barra do Leme, Pentecoste/CE).
Data: dia 12 de abril de 2008 das 9 às 16 horas e das 19 às 23 horas.
Organização: Caricultura e Ciclovida.

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Ciclovida e a hora de plantar

Terça-feira, 24 de Julho de 2007

É COMPANHEIRADA!

ESTAMOS AQUI, CHEGAMOS DE UMA VIAGEM EM FORMA DE ATIVIDADE OU DE UMA ATIVIDADE EM FORMA DE VIAGEM. FECHAMOS ESTE PRIMEIRO GRANDE CICLO, QUE APESAR DE TANTOS RISCOS CONSEGUIMOS CHEGAR COM VIDA. HOUVE MOMENTO EM QUE AS PALAVRAS MAIS APROPRIADAS PARA NOS CONSOLAR ERA: “NÃO TEMOS A OBRIGAÇÃO DE CHEGARMOS VIVOS”.

Chegamos! Foram 12 meses de distâncias, angústias, alegrias, saudades e ansiedades, de encontros da caminhada e desencantos chorados solitários quando Inácio esperava a notícia de nascimento do primeiro neto Antônio Manoel, filho de Margarida, é-lhe comunicado que veio à óbito por negligência médica (deixar passar um dia após os 10 dias depois) de Redenção e Acarape (Ceará). Engolir a revolta no silencio da impotência, o silêncio da impotência engolido por dois dias e uma noite de chuvas na rodoviária de Prata, no Triângulo mineiro. Tendo que, ainda engasgado, engolir a dor da morte do companheiro João Elias (que nunca foi engolido por tantos), que abraçou com vida o projeto do Ciclovida, contribuindo no máximo que podia para que a atividade fosse realizada, e esperava também nossa chegada para realizarmos juntos a reimplantação das sementes. Estávamos para chegar em Santa Catarina, quando tivemos noticias da sua morte súbita, foi também numa noite de chuva. Ficamos inconformados por não ter como partilhar o João, como também com a Preta (companheira do nosso assentamento que faleceu de ‘eclampse’ durante o parto, 4 dias antes de nossa chegada). Temos também coisas boas para brindarmos, que nos motivam a continuar na luta pelo que acreditamos e ter certeza de que essa luta vencerá. Por isso, comecemos a brindar esta recepção feita por esta comunidade, este belo jantar com uma cachacinha, partilhando a alegria de estarmos juntos nesta luta, e se a Preta estivesse aqui estaria brindando este momento conosco; brindemos estas crianças da comunidade sem esperar que chegássemos continuaram mantendo o CARICULTURA, que vieram nos esperar, e de hoje por diante não vamos esperar mais por ninguem para fazermos algo, vamos fazer sempre, porque quem não está aqui está fazendo ali ou allá. Vamos brindar dois insurgentes que estão chegando em meio aos nossos desafios para nos darem força, dizendo-nos que não é hora de fraquejarmos, e vamos escutar suas mensagens e o que têm para nos dizer. Estes são os dois Bebês: o da Bartira (que deve estar nascendo agora em Brasília) e o da Margarida (filha do Inácio) que está no segundo mês de gestação.

Chegamos! Aliás, chegamos ou voltamos? Quem chegou? Quem foi? Para onde foi? Quem voltou? Várias pessoas simpatizaram com a idéia de fazer, juntos conosco este trajeto de bicicleta, inclusive nossos filhos. Acolhemos inicialmente todos os simpatizantes com idéia. Aprontávamos para sair, nunca sabíamos quantos seríamos na estrada, mas continuamos dizendo que o mundo é furado, e a ação de cada um tem a forma e o conteúdo da sua convicção.

Não foi de uma hora para outra que tomamos a decisão. Já fazíamos planos com nossos filhos e filhas, de dar uma volta por aí, de bicicleta, por um bom tempo, sem definir por onde e nem o que fazer precisamente, mas com um eixo central: A Nova Relação com a Terra. A partir deste eixo iríamos acrescentando á este eixo, elementos que encontraríamos na estrada. Por várias razões não foi possível implementarmos em tempo desejado, mas chegou o dia, o dia em até ali, ainda não sabíamos quantos seríamos na estrada. Preparamos 6 bicicletas e saímos 4 pessoas estavam realmente decididas: Bartira, Bruno, Inácio e Ivânia.

---- A Bartira é uma companheira com quem já temos há um bom tempo um diálogo, envolvendo um conjunto de idéias, discussões e práticas sócio-filosófica-política-ecológico e cultural. Foi de interesse mútuo atuarmos juntos esta atividade, a das sementes. Claro! Ela já tinha seus planos, inclusive de fazer também uma viagem com um projeto de intervenção cultural abordando temas interessantes e polêmicos, como a loucura enquanto algo de interesse mercantilista ou a industria da loucura terminamos unificando estas motivações e enfrentando juntos os desafios da estrada, nas atividades, tanto das sementes como abordando a temática que a Bartira já tratava na monografia para o término do seu curso de ciências sociais, e em estágios que fizera em manicômios, etc. Fomos nesta juntos até Goiânia. Sua animação nos fortaleceu neste trajeto, ora brincando com a juventude e a criançada das comunidades ou simplesmente procurando sementes diversas, ou mesmo na sua determinação de atuar na desconstrução da loucura, contrapondo-se a conceitos geradores de tratamentos preconceituosos tão comum na relações entre as diferenças sociais. Ela está concluindo conosco esta etapa do ciclovida com o seu companheiro, o Rhafa (Bruce) e seu filhinho que de está nascendo agora (filho do ciclovida), juntos com o índio, Pajé Santxiê e aquelas lindas crianças lá na comunidade Reserva Sagrada dos Pajés, perto do plano piloto de Brasília. Agradecemos ao Rodrigo Nacif pela grande consideração ao projeto ciclovida, de partilhar conosco este achado. Ali se faz também uma atividade de recuperação de sementes, onde Bartira e Bruce mantém uma atuação conjunta com o Santxiê, em Brasília.

Emaús de Pajuçara, em Maracanaú até Senador Pompeu (300 km). Decidiu fazer a viagem da noite para o dia, embora já conhecêssemos suas intervenções nas lutas sociais urbanas. Insistimos que deveríamos ter um pouco de mais de conversa entre nós, para melhor entrosamento com a atividade. O tempo que andamos juntos trouxe aprendizado mútuo. Com ele aprendemos lições de vida muito importantes, uma delas é a autenticidade: ser o que é em qualquer canto que esteja. Nós observamos fraternalmente que devemos levar em contas as diferenças, respeitá-las ou pelo menos tolerá-las, principalmente quando estamos apenas de passagem. O Bruno não continuou, ao nosso ver, pela sua formação cultural, de origem essencialmente urbana, que não permitiu de imediato seu encontro sem atritos ou traumas com a realidade adversa, a rural, com a qual se deparou. Faltando de sua parte uma preparação prévia para esse diálogo. Ele mesmo poderá fazer seu comentário a respeito. Assim falamos, com sinceridade e fraternalmente. Ele também faz o Ciclovida. Um abração dos que chegaram.

---- Diego – nos-divertiu e se divertiu com o Ciclovida, de Brasília até Goiânia. Ele registrou em sua câmera e está registrado no diário da nossa vida. Até o encontro com os compas de Goiânia. Busca fortalecer os movimentos sociais com suas habilidades em mídia independente.

---- Mateus – O primeiro a registrar em suas investigações libertárias, o conteúdo de A Nova Relação com a Terra (New Relation with the Earth), quando nos visitou no Acarape, num momento em que convergiam apoios para uma situação de confronto que enfrentávamos com o governo e o agronegócio. Quem nos animou a ir até Argentina, quando nos falava tão familiarmente do companheiros piqueteiros, dos MTDs (Movimento os Trabalhadores Desocupados) de Buenos Aires, sendo mais conhecidos: La Matanza; Solano e Guernica. Passamos quase um mês visitando esta companheirada com os quais muito nos identificamos. Mattheo Feinstein do coletivo do “A GoGo” fez conosco o trajeto de Foz do Iguaçu até Buenos Aires. Destes companheiros recebemos apoios em todos os sentidos, inclusive material, que possibilitou a realização da grande tarefa no combate ação criminosa do agronegócio, com sua revolução verde. Depois seguíamos de Montevidéu até Curitiba, onde encontrávamos o Jorge. Num comentário para o nosso Blog, alguém perguntava: é o Jorge Ota? Agora respondemos - ééé! O Jorge ficou sabendo desta atividade por ocasião de um encontro de mídia independente que participou em Goiania, quando conheceu o Diego, que lhe falou do projeto. Ele já entrava em contato conosco quando ainda estávamos no Rio Grande do Sul, oferecendo acolhida. Ao passarmos pela sua casa fomos bem acolhidos por ele, sua mãe Sueli e sua irmã Dome. O convidamos para a estrada e sem alteração (sem demonstrar empolgação), respondeu: “vou um pouco com vocês, até onde me sentir bem”. Não sabemos o que é para ele “um pouco” nem “se sentir bem”. Já iniciamos com o Jorge a plantação das hortas com as sementes naturais.

Em São Paulo, quando já estávamos de volta, encontramo-nos com a Lia, companheira que desde Fortaleza já nutria a vontade de adentrar na viagem e somar com a atividade, e por força dos acontecimentos entre outras viagem e vontades, ela acompanhou o Ciclovida até Varjao de Minas corajosamente entre trancos e barrancos, superou muitos desafios, visíveis para nos que já estávamos acostumados com as intempéries da estrada, num dado tempo (um mês) acabou pegando a estrada de ônibus voltando a São Paulo, dizendo que tinha coisas a vivenciar como a “vida” cultural da megalomica cidade e os estudos.

De volta, dias 28 e 29/07/2007, estaremos discutindo encaminhamentos futuros do Ciclovida. Se fôssemos fazer aqui um lista agradecimento aos apoios, os acolhimentos, as forças que recebemos, desde quando saímos até a volta, escreveríamos muitas páginas e ainda cometeríamos injustiças com tantas e tantos que foram tão amáveis com o Ciclovida na estrada... mas citamos grande parte no diário do site, site que não fosse o dedo do Philipe Ribeiro, que presenteou ao ciclovida, junto com muita força, fazendo campanha de ajuda sempre que precisávamos, além de ir contatando apoios nos roteiros que tomávamos. Gravando CDs e vendendo, foi apoio técnico, político e logístico... fez conosco esta atividade. Fazendo uma viagem como esta que fizemos, de bicicleta, em sua maior parte, desmascaramos a campanha da imprensa da classe dominante. A campanha do medo entre as pessoas. Criando uma ilha cercada de medo por todos lado servindo de muro. Quebremos os muros! Quebremos os medos! Libertemos a VIDA!

Aguardem os informes do encontro dos dias 28/07/2007 – sábado e domingo.

Relato 30/06/07

Dia 30/06/2007 - sábado, saímos para o assentamento da Barra do Leme, Pentecoste. Passamos ao anoitecer no assentamento da Vazante Grande, ficamos um pouco com o Assis, Carmem e filhos. Às 9 horas da noite chegamos na casa grande do assentamento, todos esperavam. Muita alegria na chegada, Inácio encontrou com suas três filhas, chegamos na casa de Diassis e Auri, estavam Lurdes, Nonato, mais algumas pessoas da comunidade e toda a criançada do Caricultura (Jovens, Crianças e Adultos brincalhões) depois fomos para a casa de Mundinha.

Relato 24 a 27/06/07

Dia 24/06/2007 – domingo – saímos cedo, chegamos quase meio dia na divisa do Piauí com o Ceará. Ali comemos umas furtas e logo mais fomos comer o almoço feito do dia anterior. Ao fim da tarde chegamos num pequeno agrupamento de casas, e como já estava quase de noite resolvemos pedir para armar as barracas nas proximidades da casa. Ficamos esperando a resposta do dono da casa que autorizou. Logo vieram muitas pessoas da família e ascenderam fogueira... Percebemos que no início as pessoas estavam com um pouco de medo de nós, mas aos poucos foram se chegando e mais tarde ganhamos a amizade dos adultos, das crianças e até janta! Fomos dormir.

Dia 25/06/2007 – segunda-feira – prosseguimos de bicicleta, chegamos meio dia em Tauá. Procuramos agora a rodoviária para saber de algum transporte no rumo de Quixadá. Encontramos um ônibus que estava saindo para Mombaça, chegando em Mombaça, pegamos outro que passava em Quixadá. Chegamos às 20 horas (8 da noite) na casa da Joana, ela não estava em casa, havia saído com André seu namorado, curtir o dia de seu aniversário. André e Joana são grandes companheir@s amig@s que temos no Ceará, ambos estão discutindo o encaminhamento do pós chegada do Ciclovida. Antes chegaram seu filho o Felipe e logo mais a Daiana. Só lá para as 10 da noite é que o casal chegou, foi um encontro indescritível! Imagine! Só tudo de bom. Passamos quase a noite comemorando o reencontro. Chegaram a Nívia (filha da Rita, uma das irmãs da Joana que iria morar no campo conosco, mas faleceu dias antes de ir) com o filho; depois vieram a Quílvia e o companheiro.

Dia 26/06/2007 - terça-feira – Saímos pela manhã, nós e o André. André está voltando para Fortaleza, e nós vamos pegar um carro até Aracoiaba, de lá pretendemos fazer o resto de bicicleta. Descendo em Aracoiaba, fizemos até o Acarape, onde passamos na casa de Alcir e família, mãe de João Paulo, namorado da Margarida (filha do Inácio). Foi surpresa para o pessoal, ficamos um pouco ali com eles e prosseguimos para a casa do Bosco (irmão do Inácio), companheiro que mora num assentamento ali no Acarape. Margarida e João Paulo não se encontravam ali na Alcir, estavam no assentamento da Barra do Leme – Pentecoste. Porque pensavam que iríamos chegar direto por lá, e terminamos vindo por aqui. Chegamos no Bosco também de surpresa, foi aquela alegria. Passamos ali a noite, conversamos bastante sobre a viagem e a realidade local, etc. Fomos dormir preparados para sair de manhã para Fortaleza (Conjunto Jereissate, Maracanaú).

Dia 27/06/2007 – quarta - acordamos todos, encontramos as crianças: João Carlos e Benário, mas a Zélia (companheira do Bosco) estava na casa de sua mãe. Tivemos a visita da Cássia antes de sairmos. Tomamos café juntos, nos despedimos e saímos rumo ao Jereissate. Chegando na comunidade de Riachão do Norte, passamos na casa de Tânia e Zé Chagas. Com quem deixamos as primeiras sementes, que eram de laranja. Isto quando estávamos passando aqui iniciando a viagem: Bartira Bruno, João Paulo, Margarida e Inácio. Segundo eles as sementes não nasceram. Conversamos um pouco e prosseguimos com nossas bicicletas, rumo ao encontro com o aniversariante, Sandino. Passamos em Água Verde e Inácio fez uma ligação telefônica para as filhas dizendo que ainda estava na Bahia, e não dava para chegar este mês, mas ouviu sua filha Maira lhe desmentir, “venha simbora home, que já telefonaram para cá, avisando que vocês já passaram no Acarape”. Paramos na casa do Raimundo da Viola e Zenilda, onde almoçamos dia 24 de maio de 2006, quando estávamos iniciando a viagem. Agora o pessoal parecia muito ocupado e nós muito vexados, o Raimundo ainda disse: “espere um pouco, que eu vou já!” A Zenilda falou: “esperem que vou chamar as meninas!” Tomamos apenas um pouco de água e já estamos há 8 km para Ivânia encontrar os filhos: Camilo (16 anos) e Sandino (completando hoje 15 anos de idade), que estão na casa de Dona Beatriz (sua mãe) e de Socorro (sua irmã); para Inácio ainda falta uns 78 km (para chegar no assentamento da Barra do Leme, onde estão suas três filhas: Irene Maira (17 anos), Magarida (20 anos) e Marta Maria (10 anos); Jorge é que está ficando cada vez mais distante da sua família biológica, em torno de 4.000 km em Curitiba. Umas 13 horas, estamos chegando no Conjunto Jereissate, aproximamo-nos da casa de Dona Beatriz... A surpresa não foi maior porque já estavam nos esperando nesta data, mas foi um momento de muita alegria por parte de sua mãe e de nós também, e como de praxes: abraços e beijos etc. Os meninos não estavam em casa. A Socorro estava andando com eles para fazer uma surpresa, quer dizer, inventaria uma estória: de que Ivânia teria telefonado dizendo que não dava para chegar agora, porque estaria viajando para os Estados Unidos. Enquanto isto estava vindo com eles para a casa de dona Beatriz, e estava feita a surpresa. Se não fosse o quase, teria dado certo. É que Inácio não sabia do combinado, e foi saindo fora do portão na hora que eles iam chegando, coincidindo ser o momento em que terminaram de escutar a estória da tia, iniciando a decepção da inútil espera. Levantado a vista, ficaram atônitos, mas perceberam logo as tentativas frustradas dos pobres adultos de incrementar ainda mais o momento da emoção. Realmente ficou incrementado! Encontramo-nos todos aqui: chegaram o Sandino, o Camilo e a tia Socorro (irmã da Ivânia) Houve choro de emoção por parte do Sandino, mas agora só de alegria. Logo mais chegaram a Dadá, depois Tibério e Tiago (filhos de Socorro), Valmira, chegou o Egberto e aí comemoramos o reencontro, que aqui deu-se com a família. Ficamos até sexta, 29/06/2007.

Relato 20 a 22/06/07

Dia 20/06/2007 – quarta-feira – continuamos na beira do rio esperando um barco de pescador que iria para Passagem há 12 km de Pilão Arcado, que sairia a noite ou dia seguinte dali. Não tinha mais como se adiantar de bicicleta na estrada, Boa Vista é uma espécie de apêndice, para continuar para frente, ou é de barco ou se retorna mais de 40 km para Xique-Xique e vai por Irecer. Então preferimos esperar por barco, enquanto isso, conhecendo um pouco mais daquela comunidade. Boa Vista é um distrito, pertencente ao município de Xique-Xique, é uma comunidade com aproximadamente 800 casas, sua população constitui-se em quase 100% de pescadores, os que não são pescadores são alguns poucos comerciantes, aposentados ou atravessadores do peixe (compra para revenda). Em conversa com os jovens como ante este lugar, eles lembravam que há poucos anos atras não havia energia elétrica. A vila era animada a noite com historias de pescadores do rio ao redor das fogueiras. A criançada de boa Vista anda brinca de cirandas brincamos muito a noite. Fizemos muita amizade com as companheiras que de manhãzinha vinham lavar louças e roupa no rio, mesmo tendo água encanada e pia em casa, elas dizem que não se acostumam, que aprenderam a fazer isto foi no rio. Pela manhã ou a tarde sempre aparecia presentes de peixe para nós, das companheiras. Apesar de ser uma região de muito peixe, o pescador é o sujeito mais sacrificado de Boa Vista, assim como em quase todas as regiões onde predomina esta atividade. Foi aqui convivendo com esta realidade que ficamos mais indignados. Já havíamos iniciado a expressar nossa indignação num supermercado em Itacarambí quando fomos procurar o preço do peixe, em tons propositadamente irônico entramos dizendo: “na terra do peixe tem peixe barato no mercado!” O preço não se diferenciava do convencional, mesmo sendo o peixe mais popular da região, custava no mínimo R$ 6,00 (seis reais), depois vimos de 7 reais assim por diante por diante. É comum para quem observa o rio, em todo o seu percurso, ver os pescadores tomarem conta do cenário: todo dia e o dia todo, é noite e dia no balanço das águas e das redes, esticando e despescando, subindo, descendo e recolhendo. É comum se ver também por muito tempo, muitos não pegarem nada. Perguntamos para alguns pela média diária em quilos de pescado, responderam que é uma atividade familiar, todos da casa se envolvem: é na pesca, no trato, fabricação e/ou conserto das redes, que no geral pegam em media 10kg variando as épocas e equipamentos, a maioria que são pobres vendem imediatamente, para os compradores que já estão à espreita. Os compradores, tem os meios para transportar (barcos ou caminhões). Perguntamos pelo preço que sai daqui o pescado. A resposta nos estarrece. Quando dizem que o super preço é R$ 1,00 (Um real) por quilo de peixe, mas o normal é 80 e 60, já chegando a casos de até 25 centavos, a maioria dos pescadores tem já seus compradores certos e a maioria dos compradores tem seu pescadores certos. Um exemplo que presenciamos, tivemos a impressão de uma relação medieval de amo e servo. Os pescadores que sofrem todos os riscos: tem que investir constantemente em redes de pesca, e essas redes podem ser estragadas de várias formas: as piranhas cortam as redes, roubos, enganchos, acidentes, poluição, concorrência entre outros. Na região há um canal de irrigação, procuramos nos informar do significado da obra monstruosa, na entrada da vila, disseram-nos que era uma estrutura de canalização de água para o projeto de irrigação do baixo Irecer, há em torno de 12 quilômetros de canal feito, mas segundo a população local, a obra está parada há mais 3 anos. Estão pensando em retomar agora. Um comerciante do lugar, disse que era caminhoneiro, abandonou a profissão e comprou uma casa aqui, porque é um lugar muito tranqüilo. Ele disse que só faz horário com passageiros, para a cidade mais próxima, que se as obras daquele projeto recomeçarem vai acabar a paz deste lugar. É que vem gente de todo canto para trabalhar aqui, muitos bebem, bebem muito, enchem a cara e os bares. A prostituição aumenta, porque é muita gente ganhando trocados e gastando; briga, roubos e muitas menininhas grávida, que o saldo final é AIDS, é vovós precoces, com mais gente para dar de comer e muitas vidas frustradas. Fizemos almoço ali perto da água do rio, e a noite fomos conversar com a família da Silvânia. Enquanto conversávamos ficamos sabendo que o barco estava partindo e nós estávamos perdendo o bonde, quer dizer, o barco. Ainda corremos até lá com o companheiro da Silvania, mas não deu mais para alcançar, Vamos esperar para o dia seguinte. Os pais de Silvania nos convidaram para colocar nossas barracas e as bicicletas dentro de casa, e lá dormimos.

Dia 21/06/2007 – Quinta-feira – acordamos mais atento aos barcos, mas enquanto dormíamos perdíamos mais um barco, foi a notícia que deram dia seguinte, mas agora vamos ficar direto na beira do Rio. Se um sair, tem que ficar outro. Acordo feito. Silvania nos convidou para fazermos o almoço em sua casa, “na beira do rio tem ventos fortes e cobre tudo de areia” – realmente! Concordamos. Tudo ocorreu às mil maravilhas, mas enquanto Inácio e Ivânia foram dar um telefonema o pessoal da vila nos procurava para dizer que se não aparecêssemos no cais o mais rápido possível perderíamos outro barco novamente. Encontraram-nos a tempo, pegamos as “bices” e saímos correndo, alcançamos o barco por benevolência do piloto e iniciativa da população. Saímos ás 13 horas, chegamos do outro lado em Passagem às sete e meia da noite, ainda andamos nessa noite 12 km para acabar de chegar em Pilão Arcado. Dormimos num posto de gasolina, um pessoal bem agradável.

Dia 22/06/2007 sexta-feira - manhã cedo pegamos um ônibus para Juazeiro da Bahia. Chegamos meio dia e fomos procurar uma entidade que ouvimos falar dela, desde quando ainda estávamos iniciando a viagem do Ciclovida, era o IRPAA (Instituto Regional de Pesquisa da Agricultura Apropriada) para nós, uma das maiores motivações que tivemos para passarmos por lá é o fato de estar se desenvolvendo estas experiências aqui no semi-árido nordestino. Conseguimos encontrar a sede na cidade de Juazeiro, Fomos bem recebidos por uma das pessoas que atuam no projeto. Pelo fato de estarmos apressados não quisemos visitar com pressa suas experiências, mas ficamos de acordo voltar em qualquer tempo de forma avisada para uma visita, e quem sabe com mais pessoas interessadas. Tudo bem! A noite fomos para a rodoviária, para pegarmos um ônibus para Picos, no Piauí, informaram que só teria, saindo de Petrolina, andamos ainda uns 5 km para a rodoviária de Petrolina, atravessando a ponte do São Francisco mais uma vez. Isto porque tínhamos de apressar a chegada em casa para dia 27 deste mês. Pegamos um ônibus às 11 da noite e descemos em Picos ás 4 da madrugada. Dia 23/06/2007 – sábado - amanheceu, montamos nas bicicletas e saímos no rumo de Tauá, estado do Ceará. Desde quando nos aproximávamos, e depois nos adentrávamos no Nordeste que já sentíamos aquele friozinho na barriga, que era a emoção e a alegria de estar chegando. A vegetação intermediária e as transições climáticas: de acordo com os relevos, modificam-se climas e vegetações, como também os hábitos dos seres: humanos e não humanos que convivem com cada biomas. Sentimos por um lado, próximo a matar as saudades dos filhos, companheiros e amigos. Ao mesmo tempo sentimos outras saudades: a da vida na estrada, das comunidades e das pessoas na estrada da vida, enfim estamos chegando... chegando? Quem nos espera ainda acha longe! Não sabemos definir com palavras, sabemos apenas sentir, mas dá vontade de ficar dizendo muita coisa para tentar explicar. Vamos por aqui sentindo e vocês imaginando... Acreditem, pensamos em cada pessoa que encontramos nesta caminhada, com quem nos relacionamos... Cada dia de pedaladas vamos nos aproximando de uns e nos distanciando de outros. São dois tipos de sensação: saudade e ansiedade. Um companheiro definia quando nos passou um e-mail, dizendo: “Necessidade de chegar e vontade de não apressar, não é?”. Ao meio dia ainda no Piauí, resolvemos pedir um pouco de feijão para complementarmos com arroz que ainda vamos fazer, conseguimos, com uns jovens bastante sensíveis. Fomos para frente e a bicicleta do Inácio furou o pneu, encontramos uma casa de farinha e resolvemos parar por lá para remendar a câmara e fazer o arroz. O companheiro que é dono da casa permitiu que chegássemos por ali, e quanto a comida, ele ofereceu o que ainda tinha lá dentro da cozinha. Misturamos com nosso feijão doado e comemos, ele nos deu 1 kg de farinha. Concertamos o pneu, tiramos algumas fotos, nos despedimos e partimos. À noite conseguimos dormida num posto de gasolina. Era noite de São João, festa para todo lado! Fizemos bastante comida para janta e para o dia seguinte.