terça-feira, 22 de maio de 2007

09/05/2007

Levantamos cedo e um caminhoneiro nos ofereceu um chá, muito doce por sinal, passamos numa cidadezinha para comprar algumas frutas e mantimentos, na verduraria um trabalhador chamado Jose Pereira pagou umas pencas de bananas pra gente, logo na frente da vendinha se juntaram outros curiosos da cidade para conversar, com os quais contamos sobre a viagem e nossas atividades, alguns se adimiravam outros escutavam apáticos, passamos o endereço do site para alguns e nos despedimos, logo a frente vimos uma casa que parecia de pequeno agricultor, apesar da chaminé fumegando ninguém nos atendeu, talvez estivessem na roça... numa outra casa com um cafezal na frente, paramos para conversar um jovem, filho de pequeno agricultor que não foi receptivo com gente, já adiante na vencida busca de um oásis de sombra e agua fresca cada curva e subida nos rendeu a fazer um lanche de banana com farinha numa borracharia, no conversa com o borracheiro inacio pergunta meio por acaso se ele não conhecia um acampamento ou assentamento, e por conhecidencia tinha um pré-assentamento logo perto, adentrando numa estadinha de terra a uns 6 km.
Na ruela poerenta, lia cai um tombo na descida mas nada grave, logo na entrada do pré-assentamento encontramos muitas carvoarias, e logo ns informaram a casa do cordenador do “Nego”, Que nos recebeu e fez um relato da situação da região, sendo acampamento de 2002 que veio resistindo com poucas pessoas as investidas do dono, através da truculência da policia e a demora do judiciário.
Dentro de um ano chegou a 94 famílias, mas quando resolveram entrar na fazenda esse número caiu muito, conseguiram a desapropriação e no dia 22 de março de 2007 mas falta algumas coisas como demarcação das terras e divisão dos lotes e recursos atuar no assentamento.
Enfrentam grandes problemas internos, tais como: convivência com o ex-gerente que beneficia-se de 60 carvoarias em atividade diária com carradas de 2 caminhões saindo por dia do lugar, derrubada e queimada da vegetação nativa que pertence ao coletivo de assentados. Outro problema é a fumaça que fica fumaçando no assentamento, outra preocupação e a de pessoas com pendência na justiça pelo fato de terem participado de lutas pela conquista da terra, e durante um despejo forçado onde 600 policiais despejaram 40 trabalhadores que ficaram marcados pela justiça dificultando a documentação para o titulo da terra. A noite conhecemos pessoalmente esses companheiros que estão enfrentando esses dificuldades, João Mauricio, José Odair e Jose Vicente.

08/05/2007 Saída de Uberlândia

Levantamos na casa do Lucas, passamos alguns cordéis para ele, recebemos um livro de poesias de Marilly, “Leros e Boleros”, arrumamos as coisas e atualizamos os últimos dia do blog, Lia resolveu continuar mais uma semana, só faltava decidir se iríamos por Brasília ou Pirapora, exatamente na hora de sair essa indecisão, mas a vontade de conhecer a realidade do rio são Francisco pesou mais forte.
Na despedida estava presente Lucas, Edson, Marilly e Luciano, fizemos algumas fotos e em seguimos boralá.
Já na estrada para Pirapora, a uns 4 Km a bicicleta do Jorge deu problema no pé de vela, resolvemos voltar pra cidade para arrumar, depois desse causo, tocamos estrada via a muitas subidas e buracos, o que era ariscoso quando as maquinas motorapocalipsadas tomavam de assalto o acostamento mesmo na contra mão, paramos em um posto e fizemos uma comida de arroz com ervilhas, conversamos um pouco e saímos umas 4 da tarde passando por Indianópolis, onde alem das crateras estradinas e os monstros motorizados a paisagem que predominava era vastos monocultivos de café, Algodão, pinos, pasto...
Anoiteceu e a nossa procura de algum cantinho pra armar as barracas se frustrava quando as entradas iluminadas que pensávamos ser um posto eram entradas fortificadas de grandes fazendas.
O cansaço estava nos vencendo e as divergência entre dormir no mato ao lado do acostamento eram os quereres de inácio e jorge, já lia e ivania mesmo pelejando no pedal e no escuro queriam achar um posto, sequimos pedalando noite adentro ate um posto no qual jantamos a flamigerada mistura de farinhas do jorge (macaxeira, milho,trigo,cana) e dormimos já exaustos.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Depoimento


A compra da bicicreta...
...O sufoco de atravessar SunPaulo...
O posto abandonado...mal-assombrado!
As subidas difíceis e o vento-contra!
...as sombras nas placas da estrada...
As tentativas frustradas de carona.
A incansável estória da Subta!
A casa do Seu Zezé...
"Desliga o rádio, Adriana!"
A linda Dona Francisca!
O Alex, Marquinhos, Márcia!
Os banhos de rio...as noites de frio...
"A Berlândia! Berlândia! Tamô chegando em Berlândia!"
O Feijão Andu e os tomates no pé da estrada.
As cachacinhas da região!
As sementes...muitas...muitas...
As horas...os dias...as noites...
A ocupação no albergue Castelinho!
As granolas e farinhas inacabáveis do Jorge!
As noites emburacadas...os arranhões!
As receitas e história do Nêgo... as cobras...as onças...beatas...
As lições do Aparecido, Tereza e Priscila.
..."Dinheiro" "Boa vontade"...as conversas do índio com o Inácio.
As abóboras do Xapori!
As chateações com internet!
As despedidas demoradas...
...os pneus furados!
"Cuizcuiz"...bananas-passa...uvas-passa...
"Passa...passa...É tranquilo!"
Rapadura! Passa!
...a sede...o cansaço...
as recompensas...os aprendizados...
...a amizade... o respeito....
A saudade!
A vontade que fica de voltar a ver todos...o mais breve possível!
As empresas...a ganância...o lucro...
...Os bichos mortos na pista...
...a fumaça...sujeira...desrespeito...
nuvens de venenos...exploração...
...inconsequêcias e a nossa indignação!
Depoimentos, fotos...gravação!
Os urubus, tucanos, asa-branca...
...os papagaios, vários...mortos no chão!
Tamanduá-bandeira, lobo-guará... atropelados!
Geraldo, Jaime e família e crianças na luta pela limpeza das minas de água!

A liberdade...Ah! A tão amada liberdade!
...ladeira abaixo, vento na cara...velocidade!
Infinita liberdade!!!

As queimadas, os carvões, as matas acabadas!
As vacas curiosas!
O campeonato de berrante!
As horas de relatórios!
Pintar com a luz!
Lua cheia na pista!
Cantorias com Wilson, Branca e João e a Nova Cachoeirinha!
As árvores...as flores!
As máquinas, tratores...anúncios... propagandas...Bebedeiras e acidentes de carro.
A kilometragem nas placas e as discordâncias do quanto já se andou e do quanto ainda falta...
As paradas para o almoço!
"Fazer um foguinho! Coloca um feijão rapidin pra cozinhar!"
Laranjas, melancias, acerolas, mamões
Suco de maracujá, chás!
A impotência dos sindicatos e a nossa insatisfação!
Buchas de metro!
O esforço das formigas!
A vontade de querer ser mil!
Cana-de-acúcar, café...
os ônibus rurais e a exploração!
O barulho dos motores!
Os agregados do sem nada no Zé Rocha!
Os fugitivos do ritmo no sarau do Zé Carlos!
O passe-livre a sopa do Tonhão!
A luta pela independência!
O intalado na garganta
O aperto no peito
O sol me matando
As incontáveis quedas e as mãos!
As coisas que ficaram pela estrada...
Os trens de Minas!
...O fazer de cada lugar o seu lugar...
As conversas furadas, babozeiras, brincadeiras, invenções...
E o não falar, o silêncio...a introspecção!
Os momentos...Únicos!
O pão branco com queijo e doce de goiaba.
Um pingado de café!
A realidade...a vontade...a admiração!
As piadas, palhaçadas...Risos frouxos!
Ednardos, Azevedos...
O difícil caixão do Inácio...
Estar sozinha na cidade patogênica e...
Como será que vocês estão?
É preciso estar aberto!
É preciso estar liberto!
Os pensamentos positivos, as figas, as discordâncias
As risadas!
Foi muito bom e no fundo da minha alma eu estou feliz!
Os céus limpos...nublados...Estados!
O nascer e o pôr do sol...
Os vôos rasantes das borboletas e das aves.
As descobertas!
As perspectivas!
Os ideais!
...Os planos de uma vida!
O mínimo de tudo e o máximo de nada!
Banhos de chuva!
O açúcar mascavo...-boas- de milho...
Ervilhas!
Horizontes...Montes!
Quantas palavras mais seriam preciso?
Saudade do pedal!
...Saudade!...
....Saudade!!!